Essência

Numa fase de expansão criativa, quando novos territórios se abriam pela fotografia, escultura, gravura e cerâmica, surgiu uma pergunta silenciosa: onde termina a obra e onde começa a artista?

Com um projetor de slides, uma roupa branca, um tecido e uma esfera de cristal, posicionou-se no centro das projeções das próprias pinturas e acionou o temporizador da câmera. Sozinha, fotografou-se imersa na luz projetada sobre o corpo, como se tivesse atravessado a superfície das telas.

O resultado são imagens em que a fronteira entre criador e criação desaparece. A obra já não está na parede, mas na pele. O universo que atravessa sua pintura agora envolve também quem a criou.

Lembro da emoção daquele momento. Estar imersa na luz das minhas próprias obras, sentir as imagens projetadas sobre o meu corpo, foi como vestir a pele da própria obra. Ser arte. É disso que trata a Essência, não de representar, mas de ser.