O Grande Vôo
Há uma sabedoria antiga que habita o olhar de cada criatura. Uma medicina que atravessa céus e mares, montanhas e constelações.
Cada animal carrega um portal, um ensinamento sussurrado pelo universo. A águia conhece a vastidão e aponta o horizonte mais distante. O lobo guia pela luz da lua cheia. A baleia mergulha nos mistérios profundos. O búfalo ancora a força da terra. A serpente ensina a transformação contínua. O beija-flor dança entre mundos visíveis e invisíveis.
Nestas nove pinturas, a jornada xamânica se faz luz e cor, inspiradas na obra literária “O Grande Vôo”, de Marlene Vargas Lombardi. Cada tela nasce de um animal, cada animal nasce de um ensinamento.
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“Oh! Águia, você pode me vestir com suas asas e levar-me para o Grande Vôo?”
Águia se abaixa para que eu possa subir em suas costas, dizendo:
“Primeiro preciso levá-la a conhecer os outros portais e os seres que a cercam em todas as direções. São nossos companheiros de trabalho. E ainda sou jovem, minhas asas devem ser treinadas em voos menores até que estejam fortes para o Grande Vôo.”
“Lembre-se de exercitar com o beija-flor, a nunca ter medo de amar ou de se deixar ser amada. Não é o amor que fragiliza o homem, é o medo. O beija-flor parece tão frágil, mas é a única ave que voa em todas as direções. Eu posso levá-la para o voo mais alto e a conversar com os maiores mestres, mas só com o beija-flor você pode ouvir a música celestial e brincar e dançar com os anjos.”
— Marlene Vargas Lombardi, O Grande Vôo, 1994