Stellaris

Stellaris nasce de uma observação silenciosa do espaço, não como paisagem distante, mas como experiência interna.

Há um pulso que atravessa tudo. Uma imensidão que não cabe no peito.

Entre o macro e o micro, as pinturas se constroem na relação entre o todo e o fragmento, onde matéria, luz e o invisível se atravessam. Não se trata de representar o cosmos, mas de responder a ele.

Nesse intervalo, o gesto acompanha o pulsar sem tentar contê-lo. Cada obra sustenta esse campo em movimento.

Nas noites limpas e estreladas de Brasília costumava caminhar com o meu pai na minha infância. Entre identificar as Três Marias e o Cinturão de Órion, conversávamos sobre o sentido da vida, sobre macro e microcosmos, sobre a energia que permeia tudo.

Essa série nasce daquelas noites. Do coração pulsando ao ritmo da brisa, e do mesmo pulsar nas estrelas. De me sentir pequena e, ao mesmo tempo, infinita.

Depois de muitos anos nessa caminhada, sinto que pouco é necessário para transmitir o que é sutil e forte ao mesmo tempo, delicado e gigante em sua magnitude, como a própria existência.